Pontes QuinzenalVolume 3Número 14 • 21 de julho de 2008

MDIC e APEX: “Agenda China” envia missão de empresários brasileiros à China

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Como parte de sua estratégia para ampliar as relações comerciais com a China, o governo brasileiro enviou recentemente a Macau uma delegação composta por membros do governo e do setor privado. A missão, que permaneceu no país asiático de 6 a 11 de julho, participou de reuniões e seminários com o objetivo central de suprir a falta de informações por parte dos chineses sobre o Brasil, apontada como uma das principais causas para o déficit observado no intercâmbio comercial com a China.

A delegação brasileira foi chefiada pelo Secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Welber Barral, e incluiu o Secretário de Tecnologia Industrial do MDIC, Francelino Grando, e o Presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX), além de um corpo técnico constituído por MDIC, Casa Civil, Ministério das Relações Exteriores (MRE) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A missão também foi integrada por representantes do setor privado, dentre os quais se destaca o Conselho Empresarial Brasil-China.

O principal seminário da programação da missão brasileira, intitulado “Oportunidades de investimento no Brasil”, ocorreu em 9 de julho, em Pequim. O evento contou com a participação da Sub-Chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, que apresentou aos chineses formas de investir no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

“Agenda China”: principais objetivos

Ainda em fase de preparação pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC, a “Estratégia Brasileira de Exportações 2008-2010” prevê ações pontuais voltadas para mercados considerados estratégicos. O primeiro mercado selecionado foi a China. Nesse sentido, o envio da delegação brasileira ao país asiático integra a iniciativa “Agenda China: Ações Positivas para as Relações Econômico-Comerciais Sino-Brasileiras” (Agenda China), promovido pelo MDIC e pela APEX.

O lançamento da Agenda China, em 3 de julho, foi marcado pela publicação de um estudo sobre as necessidades comerciais chinesas, em comparação à oferta de produtos brasileiros. Para Welber Barral, trata-se de “um trabalho denso e profundo de inteligência comercial para identificar na pauta exportadora brasileira setores e produtos com grande potencial no mercado chinês em curto, médio e longo prazo”. Foram identificados 619 itens em 48 setores com potencial para elevar as exportações. Mesmo em setores nos quais a China é considerada mais competitiva (como têxteis, calçados e maquinário), o Brasil espera oferecer produtos diferenciados, como camisetas feitas a partir de algodão geneticamente modificado.

Além da publicação de estudos técnicos sobre o mercado chinês, a Agenda China promoverá reuniões entre representantes brasileiros e técnicos do Ministério do Comércio da China – como ocorreu com a missão oficial enviada em 6 de julho. Além de feiras e eventos na China, as empresas também participarão de 52 seminários em cidades diferentes. “Nosso objetivo é apresentar o Brasil aos chineses. Macau, por exemplo, com 500 mil habitantes, recebe 30 milhões de turistas por ano, oito vezes mais do que o Brasil. Apresentar a imagem comercial e cultural do Brasil é o caminho para aumentar os laços comerciais e de investimentos entre os dois países”, afirmou o presidente da APEX.

Em 2008 e 2009, setores de vinhos, calçados, jóias, carne, petróleo e gás, fundição, máquinas e equipamentos, têxteis e confecções, instrumentos musicais e couro devem participar de pelo menos 18 eventos na China. Um destes será a “Casa Brasil”, que ocorrerá ao longo da realização das Olimpíadas de Pequim. Ainda, para facilitar o acesso das empresas brasileiras ao mercado chinês, a APEX inaugurará, em Pequim, seu sexto Centro de Negócios (os demais já existem em Miami, Lisboa, Dubai, Varsóvia e Frankfurt).

As linhas de ação da Agenda China foram definidas com dois objetivos principais: triplicar as exportações ao país asiático até 2010, chegando a US$ 30 bilhões, e atrair mais investimentos. Em 2007, a balança comercial sino-brasileira encerrou o ano com déficit comercial de US$ 1,9 bilhão, com importações no valor de US$ 12,6 bilhões e exportações de US$ 10,7 bilhões. Para diminuir esse déficit, a iniciativa do MDIC e da APEX visa à diversificação da pauta de exportações brasileira, atualmente concentrada em commodities (60%), como soja e minério de ferro. A meta é aumentar a participação de produtos de maior valor agregado nas exportações brasileiras.

Ambos objetivos fundamentam-se na percepção de que a China, terceiro maior parceiro comercial brasileiro, não dispõe de muita informação sobre o Brasil. Para muitos empresários, entretanto, a existência de barreiras comerciais constitui o principal entrave ao aumento das exportações brasileiras, e não a falta de informação (ver Pontes Bimestral, Vol. 4, No. 3, disponível em: ). Francisco de Goeye, da Serlac Trading S.A., que tenta exportar leite mineiro para a China há mais de dois anos, “[e]ntrar na China é uma estratégia de longo prazo e é difícil. Nosso maior problema é que enfrentamos muita burocracia com as barreiras sanitárias”.

De acordo com Alessandro Teixeira, presidente da APEX, as soluções estão sendo colocadas em prática, como a logística em andamento em mais de 18 portos, parceria multimodal conduzida pela APEX que interligará os oceanos Atlântico e Pacífico via Chile.

Reportagem Equipe Pontes

Fontes consultadas:

Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX). Estratégia da Apex-Brasil para a China. (04/07/08). Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2008.

Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX). Governo lança estratégia para ampliar relações com o mercado chinês. (04/07/08). Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2008.

Folha de São Paulo. Missão de empresários tenta promover imagem do Brasil na China. (09/07/08). Disponível em: . Acesso em: 16 jul. 2008.

Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Missão comercial à China apresentará oportunidades de investimentos no Brasil. (08/07/08). Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2008.

Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Lançamento da Agenda China. (02/07/08). Disponível em: . Acesso em> 17 jul. 2008.

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