Pontes Quinzenal • Volume 3 • Número 5 • 18 de março de 2008
Ministros afirmam que NAFTA é um grande êxito
"Um grande êxito". Foi assim que os ministros de defesa dos três países que compõem o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês) qualificaram os resultados do mesmo após 15 anos de sua entrada em vigor, durante Reunião Ministerial da Aliança para a Segurança e Prosperidade da América do Norte (SPP, sigla em inglês), ocorrida nos dias 27 e 28 de fevereiro.
Segurança é tema prioritário
"Não há desenvolvimento sem segurança, e não há segurança sem desenvolvimento". Esse foi o mote da reunião da SPP, que apóia o fim do crime organizado, fomenta a cooperação entre os países e busca soluções inovadoras nesta matéria.
Outros temas analisados pelos ministros foram: concorrência, segurança alimentar e de produtos, energia e meio ambiente, fronteiras seguras e inteligentes e gestão de emergências. No que diz respeito à concorrência, foi realçada a necessidade de desenvolver a implementação de uma estratégia de combate à pirataria e à falsificação. Foi igualmente decidido que será dado prosseguimento aos trabalhos sobre cooperação regulatória para a promoção de iniciativas setoriais, com atenção especial para o setor automotivo.
O tema da segurança centrou-se na necessidade de estabelecer controles em matéria de segurança alimentar, bem como no interesse dos países em reforçar a segurança de suas fronteiras. Os ministros não fizeram menção à polêmica lançada pela recente proposta dos pré-candidatos democratas à Presidência estadunidense, Hillary Clinton e Barack Obama, de revisar o NAFTA ou até mesmo de denunciar os Estados Unidos da América (EUA) do mesmo.
Essa reunião foi uma preparação para a próxima Cúpula de Líderes da América do Norte, a ser celebrada nos dias 21 e 22 de março em Nova Orleans, EUA.
Democratas e NAFTA: mera retórica ou plano de governo?
Revisar o NAFTA ou sair dele? Às vésperas da reunião ministerial da SPP, a proposta dos pré-candidatos democratas divulgada no debate de 26 de fevereiro em Ohio caiu como uma bomba sobre políticos, analistas e imprensa dos três países integrantes do NAFTA. Durante o debate, os pré-candidatos mostraram-se contrários à aprovação de tratados de livre comércio e, em particular, atribuíram ao NAFTA as funestas conseqüências de desemprego, que afirmam assolar as cidades industriais de Ohio.
Reações domésticas
Para Susan Schwab, representante de comércio dos EUA, este não é o momento de rejeitar oportunidades de novas exportações nem de sair de tratados de livre comércio já existentes, em reação às declarações de Obama e Clinton. Susan Schwab não acredita na relação direta entre perda de empregos e comércio e assegurou que, no máximo, é possível atribuir ao comércio uma perda de 3% sobre o número de empregos.
Alguns analistas consideraram que revisar o NAFTA seria o equivalente a abrir a caixa de pandora, pois os EUA não seriam os únicos a apresentar pedidos. Até mesmo os analistas críticos ao NAFTA, que o consideram desfavorável aos três países, vêem a renegociação como inviável. Para eles, o Canadá teria interesse em revisar suas concessões sobre madeira e agricultura, ao passo que o México trataria do tema da imigração.
O Canadá e o petróleo
Stephen Harper, Primeiro Ministro do Canadá, assegurou que não considera com seriedade as afirmações dos candidatos democratas. Contudo, advertiu que caso haja qualquer tipo de revisão do NAFTA, o Canadá também terá muito a dizer.
O ministro de comércio foi mais preciso e revelou que, na re-inauguração do debate sobre o NAFTA, o Canadá também negociaria o acesso estadunidense ao petróleo canadense. De acordo com as disposições do NAFTA, no caso de uma crise de abastecimento mundial, o Canadá estaria proibido de cortar o abastecimento aos EUA, a menos que o faça nas mesmas proporções para sua própria população.
México não concorda com pré-candidatos
O governo mexicano não emitiu declarações oficiais sobre as ameaças dos pré-candidatos democratas. Um funcionário do governo afirmou que apesar de ainda existirem desafios pendentes ao NAFTA, há também muitos fatores positivos, razão pela qual o México seguiria apoiando o acordo.
Tradução e adaptação de texto originalmente publicado em Puentes Quincenal, Vol. V, n. 5, 11 de mar. 2008.