Pontes QuinzenalVolume 3Número 3 • 19 de fevereiro de 2008

Breves Informes Multilaterais


EUA organizam reunião com os maiores emissores de carbono

Uma reunião organizada pelos Estados Unidos da América (EUA) deu continuidade às discussões sobre ações globais futuras para combater as mudanças climáticas, mas obteve poucos resultados concretos.

Reunidos em Honolulu, Havaí, de 30 a 31 de janeiro, os participantes representavam os principais emissores de carbono do mundo - os 17 países somam 80% das emissões mundiais de dióxido de carbono e integram o chamado Grupo dos Oito: Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia. O debate continuou em torno das questões levantadas no âmbito multilateral da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, firmada em dezembro de 2007, na qual os países signatários concordaram em iniciar negociações para que se formule um acordo abrangente sobre clima até 2009 (ver Pontes Quinzenal, 05 de nov. de 2007, disponível em: <http://www.direitogv.com.br/subportais/Cursos/PQ_2-15_%20PDF.pdf>).

Segundo Matthias Machnig, representante do Ministério do Meio Ambiente da Alemanha, o debate foi construtivo e pode representar um passo à frente em direção a um acordo concreto para 2009. O Ministro também ressaltou a importância de um regime internacional que estipule objetivos obrigatórios nos mesmos moldes das Nações Unidas.

Anteriormente à reunião, C. Boyden Gray, Embaixador estadunidense em Bruxelas, mencionou a necessidade de os maiores emissores assumirem compromissos de atenuação climática, a fim de evitar competição comercial desleal entre indústrias que sofrem diferentes restrições de emissão. Ele defendeu que iniciativas setoriais internacionais dentro do setor industrial de energia intensiva constituiriam uma boa opção. No entanto, alertou que se os países em desenvolvimento (PEDs) não concordarem com limites setoriais, UE e EUA não terão escolha a não ser impor algum tipo de "tarifa de carbono" às importações desses países. Recentemente, a UE lançou um projeto de pacote sobre energia e clima que deixa a porta aberta para o uso de medidas de fronteira, com o fim de resguardar a competitividade de suas indústrias de uso intensivo de energia.

Tradução e adaptação de texto originalmente publicado em Bridges Trade BioRes, vol. 8, No. 2, 8 fev. 2008.

Reunião de líderes do G7 mantém previsão de turbulência

A economia mundial permanecerá vulnerável aos riscos oriundos da escassez de crédito, da contínua deterioração do mercado imobiliário estadunidense, da alta do petróleo e da inflação em alguns países. É o que afirmaram os ministros de economia e os presidentes dos bancos centrais das 7 maiores economias do mundo, em comunicado posterior à reunião do G7, ocorrida em Tókio no último dia 9 de fevereiro.

Os líderes manifestaram preocupação quanto à excessiva volatilidade das taxas de câmbio e mostraram-se satisfeitos com a decisão da China de aumentar a flexibilidade de sua moeda - tanto que encorajaram o governo chinês a valorizá-la. A declaração dos líderes visou também a Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP), a quem foi dirigido um apelo para que seja aumentada a produção de petróleo de modo a reduzir a pressão inflacionária, que tem complicado a resposta dos países à crise.

Apesar de concordarem que os fundamentos econômicos permanecem sólidos e afastarem a possibilidade de recessão na economia estadunidense durante 2008, os líderes do G7 afirmaram estar prontos para adotar ações individuais e conjuntas a fim de garantir a estabilidade e o crescimento. "Estamos profundamente comprometidos em trabalhar conjuntamente para fortalecer a estabilidade financeira, limitar o impacto da crise financeira e tratar dos fatores que a causaram".

Menção especial foi feita ao trabalho do Fórum de Estabilidade Financeira (FSF, sigla em inglês), entidade que reúne autoridades financeiras nacionais, personalidades do setor privado, representantes setoriais e de instituições financeiras internacionais e que tem por objetivo promover a estabilidade financeira internacional por meio da troca de informações e pela cooperação internacional em matéria de supervisão financeira. Em um relatório parcial de sua autoria, o FSF recomenda: (i) o fortalecimento da gestão dos riscos de liquidez; (ii) a solução de questões de conflito de interesses em agências de classificação de riscos; e (iii) a melhoria do acesso à informação aos investidores sobre os riscos envolvidos nos produtos financeiros que lhes são oferecidos.

Os líderes do G7 solicitaram expressamente ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que trabalhe de maneira mais próxima com o FSF na identificação de vulnerabilidades e no desenvolvimento de sistemas de prevenção de crises.

Reportagem Equipe Pontes

Fontes consultadas:

International Herald Tribuna. "Text of G7 communiqué from Tókio". Disponível em: <http://www.iht.com/bin/printfriendly.php?id=9907892>. Acesso em: 13 fev. 2008.

Folha de São Paulo. "G7 prevê mais turbulência e fala em ação conjunta". Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1002200822.htm>. Acesso em: 10 fev. 2008.

Financial Times. "G7 leaders say world economy vulnerable". Diponível em: <http://www.ft.com/cms/s/df2d7754-d70d-11dc-b09c-0000779fd2ac,dwp>. Acesso em: 09 fev. 2008.

Site official - Financial Stability Forum. Disponível em: <www.fsforum.org>. Acesso em: 14 fev. 2008.